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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ressonância Magnética Funcional Comprova a Eficácia da Acupuntura

A cura de doenças pela acupuntura sempre foi um mistério para a ciência. Mas o neurocientista canadense Bruce Pomeranz, da Universidade de Toronto, já tinha compreendido há mais de vinte anos como é possível controlar a dor com as picadas.
Existe uma célula na coluna vertebral chamada interneurônio. A sua função é evitar que o cérebro seja avisado da dor em situações em que isso prejudicaria o indivíduo. Por exemplo, um sujeito que tem a perna quebrada e precisa se safar rápido de um acidente. Assim, quando se estimula um certo tipo de terminação nervosa logo abaixo da pele, o interneurônio é induzido a entrar em ação, bloqueando o caminho da dor no corpo inteiro.
Os pontos de acupuntura, conhecidos há milhares de anos, são justamente os lugares da pele com maior concentração de nervos que ativam esse mecanismo.Isso justifica o sucesso da terapia no tratamento de dores.
Como foi visto acima, existiam algumas esplicações para a eficácia da acupuntura, mas foi somente no ano de 1998, que o cientista físico coreano Zang-Hee Cho, da Universidade da Califórnia, comprovou que certos pontos na pele estão ligados a órgãos internos. A pesquisa, realizada pela equipe de Cho, comprovaram que os pontos da acupuntura estão ligados, através do cérebro, a importantes órgãos internos e funções do corpo.
Na pesquisa, foi espetada a lateral do pé de um voluntário e girada a agulha devagar. Na tela do computador, pelo método da ressonância magnética funcional, onde se vê a imagem do cérebro, acendeu-se uma área, sinal de que ela entrou em atividade. Só que o campo iluminado não regia o movimento dos pés nem processava a dor da picada e sim, tratava-se da parte do córtex que controlava a visão.
Há 5 mil anos, quando criaram a acupuntura, os chineses não sabiam que o cérebro regia todo o organismo. O sistema que inventaram pressupunha a existência de doze meridianos (canais de energia que conectariam os órgãos), sobre os quais se localizam 1.500 acupontos. A tradição diz que, com as agulhas, podemos reorganizar a energia que circula nesses canais. Acontece que ninguém nunca viu um meridiano. A idéia de que, em vez de uma estrada energética invisível, sejam terminais nervosos, através do cérebro, que ligam o pé aos olhos, como demonstraram Cho e seus colegas, é mais respeitada para a medicina ocidental.
Um hormônio importante é a adrenalina, que é liberada quando tomamos um susto. Ela nos deixa alertas, mas também agitados e estressados. Aí, a acupuntura pode ajudar, controlando os níveis de adrenalina no sangue e deixando os anticorpos livres para agir. E há ainda um outro possível efeito. O estímulo pode agir no bulbo cerebral, que manda nos neuroquímicos, afirma Cho, referindo-se às proteínas que tornam possível a transmissão de impulsos entre um neurônio e outro. Se os acupunturistas as controlam, podem bloquear a dor das doenças ou aliviá-las.
Diz a lenda que, 5 mil anos atrás, um soldado chinês foi ferido no tornozelo durante uma guerra contra os mongóis. O agressor não o matou, mas fez algo bem mais importante: realizou a primeira aplicação de acupuntura. Ele acertou o ponto anestésico e curou uma enxaqueca que atormentava o adversário. É assim que os chineses narram o surgimento de sua medicina. Os doze meridianos teriam sido traçados a partir desse primeiro acuponto. Espetando-o com uma agulha, o paciente sente um choque que vai até outro ponto. Estimulando esse segundo, o choque leva ao terceiro, e assim por diante. Hoje, os 1.500 acupontos são acionados com agulhas finíssimas de aço inoxidável, com 1 a 12 centímetros.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a terapia aos países-membros. Dos 1500 acupontos espalhados pelo corpo, a OMS comprova a eficácia de 360. Seguindo esse conselho, o Brasil foi o pioneiro no Ocidente em reconhecer essa prática.
A acupuntura quase deixou de existir no começo deste século. Em 1912, sob influência dos ingleses, a China baniu as terapias tradicionais. Assim, em 1949, havia só 40 000 médicos para atender 500 milhões de habitantes. Naquele ano, Mao Tsé-tung (1893-1976) liderou a revolução comunista. Um de seus primeiros atos foi reabilitar os terapeutas até então ilegais, transformando-os em agentes de saúde. Mao também criou faculdades e institutos de pesquisa do método tradicional, além de um sistema que integra as duas medicinas, no qual os pacientes podem escolher a sua preferida.
Hoje, a acupuntura é oficial também no Japão e na Coréia e há terapeutas em praticamente todo o mundo. Só nos Estados Unidos, onde foi introduzida nos anos 70, entre 9 e 12 milhões de pacientes recorrem às agulhas anualmente. Com a pesquisa de Cho, elas podem confiar que não estão recorrendo a um curandeirismo, e sim a uma técnica médica comprovada.

Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/1999/conteudo_78090.shtml

2 comentários:

  1. Tive o problema chamado "dedo em gatilho" numa das mãos. Fiz uma micro-cirurgia que resolveu o problema quase instantaneamente. Após alguns meses, voltei a sentir dor nesse mesmo dedo. O ortopedista pediu uma ressonância magnética. Gostaria de saber se essa ressonância pode ser útil praa o tratamento com acupuntura.

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  2. Tive o problema chamado “dedo em gatilho” numa das mãos. Fiz uma micro-cirurgia que resolveu o problema quase instantaneamente. Após alguns meses, voltei a sentir dor nesse mesmo dedo. O ortopedista pedu uma ressonância magnética. Gostaria de saber se essa ressonância pode ser útil no caso de tratamento com a acupuntura.

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